Quando alguém me manda uma mensagem do tipo "preciso de um sistema para X", a tentação é responder rapidamente com prazo e valor. Afinal, ninguém quer deixar um possível cliente esperando.
Só que, com o tempo, percebi que responder rápido nem sempre significa responder bem.
No desenvolvimento de software, estimativas dependem diretamente da quantidade e da qualidade das informações disponíveis. Quanto mais indefinido é o problema, maior é a incerteza sobre prazo e custo.
O briefing está sempre incompleto
Mesmo quando a descrição parece detalhada, normalmente ainda existem muitas perguntas em aberto.
Costumam faltar informações como:
- Quantas pessoas utilizarão o sistema;
- Se haverá diferentes níveis de acesso;
- Quais funcionalidades são realmente necessárias;
- Se existirão integrações com outros sistemas ou APIs;
- Se será necessário importar dados existentes;
- Se a solução será usada apenas em computadores ou também em celulares;
- Quais relatórios ou indicadores são importantes;
- Se existe alguma restrição de prazo;
- Se há uma expectativa de investimento.
Nenhum desses pontos, isoladamente, parece complicado. Mas a combinação deles pode alterar completamente a complexidade do projeto.
Um simples cadastro de produtos para cinco usuários é uma realidade muito diferente de um sistema com múltiplos perfis, controle financeiro, emissão de documentos e integrações externas.
Por isso, aprendi a não tratar a primeira mensagem como se ela fosse o escopo completo.
O que eu faço hoje
Hoje, em vez de enviar um valor imediatamente, primeiro confirmo o que entendi da necessidade apresentada.
Depois, procuro fazer poucas perguntas. Geralmente duas ou três são suficientes para esclarecer os pontos que mais impactam a complexidade do projeto.
Evito transformar o primeiro contato em uma entrevista de vinte perguntas, porque isso acaba cansando quem está do outro lado.
Esse processo costuma trazer três benefícios:
- O cliente percebe que a proposta foi realmente lida;
- Evita que cada lado esteja imaginando uma solução diferente;
- Me dá informações suficientes para elaborar uma estimativa mais consistente.
Na prática, alguns minutos de conversa normalmente economizam horas de retrabalho no futuro.
Orçamento não é adivinhação
Uma coisa que aprendi é que estimativa não é uma promessa absoluta.
Ela é uma previsão baseada nas informações disponíveis naquele momento.
Por isso, prefiro gastar um pouco mais de tempo entendendo o problema antes de falar em prazo e investimento.
Na maioria das vezes, isso produz propostas mais realistas e reduz a chance de surpresas durante o desenvolvimento.
No fim, um bom orçamento começa muito antes da planilha de preços.
Ele começa com entendimento.