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·3 min de leitura

Como organizo orçamentos de projetos sob medida

Um fluxo simples que uso para responder propostas sem transformar prazo e valor em adivinhação.

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Quando alguém me manda uma mensagem do tipo "preciso de um sistema para X", a tentação é responder rapidamente com prazo e valor. Afinal, ninguém quer deixar um possível cliente esperando.

Só que, com o tempo, percebi que responder rápido nem sempre significa responder bem.

No desenvolvimento de software, estimativas dependem diretamente da quantidade e da qualidade das informações disponíveis. Quanto mais indefinido é o problema, maior é a incerteza sobre prazo e custo.

O briefing está sempre incompleto

Mesmo quando a descrição parece detalhada, normalmente ainda existem muitas perguntas em aberto.

Costumam faltar informações como:

  • Quantas pessoas utilizarão o sistema;
  • Se haverá diferentes níveis de acesso;
  • Quais funcionalidades são realmente necessárias;
  • Se existirão integrações com outros sistemas ou APIs;
  • Se será necessário importar dados existentes;
  • Se a solução será usada apenas em computadores ou também em celulares;
  • Quais relatórios ou indicadores são importantes;
  • Se existe alguma restrição de prazo;
  • Se há uma expectativa de investimento.

Nenhum desses pontos, isoladamente, parece complicado. Mas a combinação deles pode alterar completamente a complexidade do projeto.

Um simples cadastro de produtos para cinco usuários é uma realidade muito diferente de um sistema com múltiplos perfis, controle financeiro, emissão de documentos e integrações externas.

Por isso, aprendi a não tratar a primeira mensagem como se ela fosse o escopo completo.

O que eu faço hoje

Hoje, em vez de enviar um valor imediatamente, primeiro confirmo o que entendi da necessidade apresentada.

Depois, procuro fazer poucas perguntas. Geralmente duas ou três são suficientes para esclarecer os pontos que mais impactam a complexidade do projeto.

Evito transformar o primeiro contato em uma entrevista de vinte perguntas, porque isso acaba cansando quem está do outro lado.

Esse processo costuma trazer três benefícios:

  • O cliente percebe que a proposta foi realmente lida;
  • Evita que cada lado esteja imaginando uma solução diferente;
  • Me dá informações suficientes para elaborar uma estimativa mais consistente.

Na prática, alguns minutos de conversa normalmente economizam horas de retrabalho no futuro.

Orçamento não é adivinhação

Uma coisa que aprendi é que estimativa não é uma promessa absoluta.

Ela é uma previsão baseada nas informações disponíveis naquele momento.

Por isso, prefiro gastar um pouco mais de tempo entendendo o problema antes de falar em prazo e investimento.

Na maioria das vezes, isso produz propostas mais realistas e reduz a chance de surpresas durante o desenvolvimento.

No fim, um bom orçamento começa muito antes da planilha de preços.

Ele começa com entendimento.